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Fim de um ciclo.

E como tudo se renova, eis que senti a necessidade de recomeçar.

Este blog mudou-se para: www.imperatividade.wordpress.com

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Bigger.

Contagem regressiva. Falta pouco tempo, falta quase nada. Respire fundo: daqui a pouco você estará longe... (e longe você sempre esteve). Nunca soube de onde veio essa mania de universo parelelo e no auge da idade ainda tem a dúvida constante de que se tudo que te rodeia é realmente de verdade.
Pequena, o mundo é grande - seu pai disse. Você quer pagar pra ver. Seu medo é quase desse tamanho todo do mundo, mas sabe o que é? Suas vontades também são. Graças a elas, você é o que é: uma coisinha mal formulada que às vezes não faz sentido, mas é forte e incomoda tanto que exige realização, só pra tirar a prova.

Arrume sua bagagem e vá improvisar solto bem longe daqui. Você sabe que o mundo é mesmo gigante, mas sua alma também é.

Procura-se solidão

Ela sobe no ônibus com tanta pressa que parece fugir de alguém. Sorri para o motorista de um modo educado e agradecido. Ela realmente está grata por estar ali dentro. Passa pela catraca atrapalhada, e com ânsia busca a última fila dos bancos daquele ônibus que está praticamente vazio.
Ao sentar-se, ela suspira. Suspira aliviada e pensa consigo mesma: "Estou finalmente só!". Ninguém no mundo entenderia o tamanho de sua felicidade. Há lógica numa felicidade tão solitária? Para ela, neste momento há sim.
É uma daquelas noites iluminadas e quentes, e ela gosta disso. Gosta tanto que fica em dúvida entre terminar o livro que está em sua bolsa, ou deixá-lo de lado para não perder os lances rápidos da cidade em sua janela.
Divertindo-se, põe então o fone nos ouvidos e seleciona as músicas compatíveis com o seu humor. Ela está feliz e quer cantar alto. Por estar num ônibus (mesmo que praticamente vazio) ela se contenta em apenas mexer os lábios e balançar os pés freneticamente.
Feliz por estar só. Contente por estar ali, sem ninguém ao seu lado. Enquanto o mundo é carente de presença, ela às vezes é carente de solidão e ausências completas. E ela se lembra que "é impossível ser feliz sozinho" e discorda por capricho, pois ali, naquela noite, ela finalmente supriu a falta de si mesma.

palavras falham.

palavras faltam.

Sintomas


Assumir coisas pro mundo nunca fora seu forte. Essa mania insensata de se esconder por tudo sempre lhe rendeu horas de culpas... Lá no fundo algo lhe dizia que, de algum modo, um dia isso teria que acabar... Se ela conseguia gritar pro mundo tudo o que pensava, por que raios nunca conseguiu expor pro cara ao lado o que sentia?
A grande verdade é que esses sentimentos a confundiam... Emoções completamente ausentes de alguma razão tiravam lhe o folêgo.
Ela sempre quis dizer o quanto sentia... Ela se descobriu capaz de amar, mas nunca verdadeiramente o fez. E por que meu Deus? Por que essa criatura de tanto sentimento nunca soube ao menos como o fazer???
Foi então que ela percebeu que algumas coisas não tem explicação...
Mal sabe ela por que começou a escrever esta noite... Mas ela bem sabe que desviou o assunto para não se expor mais uma vez. A verdade é que ela só queria dizer que está com saudades, e que subitamente o mundo parece menos interessante quando sua ausência é constatada.

- como uma idéia que existe na cabeça e não tem a menor pretensão de acontecer.

Semana do saco cheio

Eu odeio escrever nesses dias em que tudo passa pela minha cabeça. É tanto pensamento se atropelando que fica extremamente díficil vencer a linha tempo e colocá-los no papel antes que eles voem pra longe. E essa chuva de vozes na minha cabeça se confunde com as milhares de expressões faciais que sou capaz de fazer em um minuto.
É dor? É quase-amor? É saco cheio? É alegria desmedida? É fogo no facho? Sabe o que é de verdade? É porra nenhuma! É essa necessidade que eu nasci de sempre ficar questionando tudo. Por que, o que, quando, sim, não, talvez... Mas e se...? E 'SE' o que minha filha?
Às vezes eu tenho mesmo vontade de me esbofetear só pra acordar. Pensar a fundo todo-o-tempo deveria ser uma prática proibida. Aliás, pessoas melodramáticas deveriam ser banidas do planeta (p.s.: eu certamente não viveria aqui).
E nesses dias eu vou pro canto... Nesses dias eu canto baixo, só pra me escutar (como se às vezes eu precisasse lembrar que posso ficar sozinha se quiser - é, eu tenho esse direito também). E é aí que eu preciso de silêncio. Silêncio das opiniões alheias agressivas que nunca calam, das críticas absolutistas que desestruturam, do egoismo extremista que me incomoda, da falação ignorante e à toa, das mentiras (que mesmo que bonitas) machucam...
Preguiça é a palavra. Preguiça da rotina, preguiça de pessoas sem vida, preguiça de você me olhando e fingindo que me entende sem nem ao menos tentar entender ou aceitar de uma vez já que não dá pra mudar. Preguiça dessa minha falta de confiança eterna que me segue em cada aresta do meu espaço. Preguiça do meu excesso de paixão por tudo que só me faz lembrar que enquanto eu tenho demais, alguns simplesmente não tem.

E mais do que nunca, nesses dias de terrorismo contra tudo, eu corro pra pegar o ônibus, corro pra ir pra casa. Corro de tudo, de todos e finalmente páro de pensar e vou dormir, justamente por ter preguiça excessiva - de mim mesma.

Partes partidas

Eu sou feita de pedaços. Partes de um todo, parte de todos. Sou eu que me remonto todos os dias com os pedaços alheios que me fazem bem. Eu quero sempre fazer parte dessa alegria toda, desses risos, dessa euforia generalizada. Ei, me dê um pedaço do seu mundo, um abraço que seja. Me guarde por aí, numa parte de você. Pode ser entre o pulmão e o coração, que é onde se pára de respirar pra sentir as batidas acelerarem. Vamos trocar um pouco, eu te dou minha loucura e você me empresta sua vontade infinita.

Mas logo ontem, resolvi parar de respirar só pra expulsar suas partes de mim. Quis que meu coração acelerasse tanto a ponto de explodir dentro do peito. E pode parecer exagero, e eu bem sei que é, mas comigo é sempre tudo muito fora dos padrões de medição. Eu queria descartar esse seu pedaço que ainda existe aqui dentro e que não me faz bem. Seu pedaço está no meu estômago, indigesto. Mas infelizmente eu nunca entendi o real significado da palavra 'descartável', e mal sei conjugar o verbo 'descartar'.

E quando vi que não consegui, me senti oca, embora completamente saturada com tudo isso. E isso que me maltrata, isso desse pedaço maldito não se contentar com coisas sem explicação, sem motivo ou razão aparente. É exatamente isso que me bloqueia pra eu deixar finamente de ser um monte de pedaços amontoados e ser de uma vez, quem sabe alguma coisa inteira.

Bendito seja o Benedito.

Ele sempre andou com as mãos para trás, cabeça baixa, pensativo, e sempre, sempre, alisava seu próprio nariz com as pontas dos dedos. Ele sempre foi muito político e educado. Em dezenove anos de convivência próxima, nunca eu o ouvi esbravejar. Calmo, doce, gentil. O meu herói da vida real era preocupado com a opinião do mundo. Eu ria alto enquanto ele me perguntava o que eu achava de namoricos após os 70 anos. "É feio minha neta? Namorar agora velho, é feio?", eu achava graça. Sempre lindo, sempre garanhão, mesmo com seus cabelos brancos. O sorriso sempre sincero me trazia calma juntamente com o abraço e a sua benção.
O Benedito costumava falar alto com Deus, fosse onde fosse, lá estava ele, conversando com o cara lá de cima. O Seu Benedito me ensinou como amar de verdade, me ensinou a ser uma pessoa boa (mas não tanto quanto ele). Nunca agrida, não revide, não pise em ninguém, jamais.
O bendito do Dito jogava truco e bebia cerveja, e acreditem, esses eram os 'desvios' que ele possuia. O Dito carregava lenços nas calças e os usava raramente. No bolso das camisas lá estava a caneta que ele nunca usava.
No único dia que eu esqueci de lhe pedir a benção e fui embora, pedi para que meu pai voltasse. Eu só precisava falar "Benção meu vô, eu te amo". Meu pai voltou e todos presentes choraram enquanto eu respirava aliviada por ter dado aquele que podia ter sido o último abraço.

Nas ligações cada vez mais raras, ele já não lembrava tanto de mim. Nos meus planos de férias, lá estava ele, o meu avô, o meu vô Dito. E quem ia adivinhar que ele não ia me esperar? Ele não me esperou dessa vez. Ele não esperou eu voltar pra pedir a benção. "O Vô Dito se foi", disse minha irmã enquanto eu não esboçava reação nenhuma à notícia. Não havia mais nada, só a dor. A dor silenciosa e cheia de culpa. Eu não consegui vê-lo mais uma vez, a última vez.

O bendito do Vô Dito foi a melhor pessoa que eu conheci, e me atrevo a dizer que nunca conhecerei alguém de alma tão pura quanto a dele. E eu sinto falta de todos aqueles momentos que a gente nem teve. Às vezes ouço a risada dele, sem querer, sem saber, sempre do nada.

A dor e a saudade já presentes me lembram a todo instante que NADA vale mais do que todas as minhas lembranças.

- Bendito seja o Benedito Lourenço da Silva. Vô Dito, te amo.

Uma noite, algum dia.

Hoje a noite está fria. Ainda assim não está fria como minhas mãos, meus pés, e meu coração. Passei as horas sentada olhando para as pontas dos dedos, tentando entender porque raios me torno presa fácil das mentiras alheias. Não me canso de tomar paulada, e continuo acreditando na bondade das pessoas e em suas boas intenções.
Acontece que às vezes somos machucados sem querer, como também machucamos distraidamente. É tudo tão discreto que contrasta com o tamanho da dor que sentimos, mal dá pra acreditar. Aqui na cama eu me encolhi e mudei de posição dezenas de vezes tentando em vão procurar alguma maneira mais confortável de sentir todo o desconforto que me dilacerava.
E foi aí que lembrei dos rostos, daqueles rostos que rindo me machucaram. Risos inocentes, inconsequentes. Mas logo, todos virarão fumaças. Sempre passa não é? A gente sempre se levanta não é mesmo? É. Tem que ser assim.
Algum dia eu vou conseguir te fitar nos olhos sem a mágoa latente. Algum dia...
Mas hoje, hoje a noite, eu vou te odiar um pouquinho só pra me sentir menos vulnerável, menos mosca. Hoje eu quero fazer versos sobre dor pra te mostrar um dia e dizer que você foi responsável. E eu juro que não quero fazer com que você se sinta culpado, mas eu desejo sinceramente que um dia você perca uma noite pensando deprimentemente, assim como eu faço agora.

"Porque a tristeza, pra me desesperar mais ainda, não tem desespero (...) E as coisas sem desespero é que são verdadeiramente tristes." - Tati Bernardi

Enquanto isso...

Pela primeira vez em muito tempo me resumo equilibrada. Acrescentei (sem intenção) a calma nos meus dias e ando respirando mais entre uma ação e outra. Sei que nunca fui de pensar nas consequências, mas agora a serenidade impera.
Aposentei um pouco a auto-sabotagem das decisões por capricho e adotei a relevância. Não que eu tenha me despido do meu exagero nato, mas é bem verdade que ando controlando as minhas reações emocionais.
E mais do que nunca já não ligo pro excesso das exigências - minhas e do mundo. Vivo um momento leve, um momento meu. Devo assumir que não estou sentindo mil borboletas na barriga e nem nada disso, mas me sinto bem. Só bem. Acho que é pedir demais que esse se "sentir bem" venha com mil adicionais.

Porque não aceitar a simplicidade do sentimento de vez em quando? Às vezes é necessário.

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